“Yogada”, Meditada e Medicada
Antes de mais nada, quero adiantar que esse não é um post fácil para eu escrever. No entanto, eu sinto que por mais que esse assunto seja polêmico, eu devo a mim mesma o favor de falar aonde eu me posiciono em relação à essa questão.
Desde a minha adolescência, eu lido com depressão. Uma depressão que não é diagnosticada como clínica, mas circunstancial. Quando estou em depressão, tudo literalmente dói pra fazer: coisas simples como levantar pra levar a minha filha pra escola se torna uma batalha grande. Sair de casa pra trabalhar ou pra qualquer outra atividade, é um sofrimento. Passar um dia todo sem chorar pelo menos três vezes? Tarefa difícil.
Meu apetite vai embora, eu perco peso (por isso me chateia quando eu emagreço e as pessoas comentam: “Nossa, você está ótima!”, quando na verdade eu estou péssima). Quando estou em depressão, eu sofro muito. As notícias do mundo me fazem chorar o tempo todo, me bate um desespero desolador. Depressão é uma das doenças mais difíceis de se explicar para quem nunca viveu esse estado, e a sociedade quer que a gente se justifique o tempo todo por estar doente. Já é difícil, e as pessoas jogam a culpa no depressivo em si. Enfim, o intuito desse post não é de educar você sobre essa doença, mas falar sobre como isso me afetou no yoga.
Eu já tive vários episódios depressivos, e o yoga sempre esteve presente, nunca me abandonou. Sempre foi uma âncora pra mim. Numa das épocas mais complicadas da minha vida, eu estava praticando 3 vezes ao dia, 7 dias por semana. O estúdio era o meu refúgio, e eu chorava quase sempre no final de cada aula.
Sempre que eu sentia que a vida estava ainda mais difícil, eu abria o meu tapetinho. No trabalho, eu descia pro andar de Bem-Estar da empresa na hora do almoço, e meditava pelo menos 20 minutos. Eu escrevia todas as noites 10 coisas que eu era grata naquele dia. Mas eu continuava triste.
“Ah, mas talvez você não esteja fazendo pranayamas suficientes!”, “Helô, você precisa pensar positivo!”, “Você precisa meditar mais!”.
E lá ia eu: meditar mais, praticar mais yoga, pensar mais positivo. Tomar florais, usar aromaterapia, me benzer, fazer acupuntura. Mas eu não melhorava.
A questão é mais simples do que se imagina: o que funciona pra uma pessoa, pode não funcionar para outra. E o que mais me entristece, é como o meio que eu trabalho vende uma positividade que muitas vezes é tóxica. Os yogis falam tanto sobre Ahimsa (não-violência), mas jogam violentamente a culpa do estado depressivo NA PESSOA depressiva. “Você não está fazendo suficiente, você precisa fazer mais exercício, você precisa disso, aquilo, e isso.” E então, se a pessoa faz tudo dessa lista e não melhora, a pessoa se sente ainda pior, afinal “se funciona pro outro, por que não funciona pra mim? Eu realmente sou muito problemática. Eu não tenho jeito. O problema sou eu”.
Eu cansei disso, eu cansei de ser apontada como se eu fosse preguiçosa e não estivesse me esforçando suficientemente pra ser feliz. Cara, tudo que uma pessoa em depressão quer é sair da tristeza infinita. Parem de vender uma positividade tóxica. É violento isso.
Yoga não vai curar a sua depressão. Yoga não vai curar a sua ansiedade. Yoga vai, sem sombra de dúvidas, ser uma ferramenta FENOMENAL na sua jornada em administrar a sua ansiedade e ser um aliado para o tratamento da depressão. Terapia? Opa… sempre. Não há depressão que se cure sem terapia <3.
Yoga não me curou da depressão quando eu tive as minhas crises, mas foi a ferramenta que eu sempre usei para conseguir seguir. Yoga e meditação me ajudam a olhar para a ansiedade e a investigar melhor o que está acontecendo. Agora, se eu precisar de medicação para conseguir levantar da cama e levar a minha filha pra escola e parar de chorar a cada 5 minutos, que assim seja. Se eu precisar de medicação para conseguir funcionar e oferecer pro mundo o melhor que eu posso oferecer, que assim seja. No shame in the game. Eu estou cansada de ter vergonha disso.
Se você se curou da sua depressão com florais, homeopatia, yoga, meditação ou ayahuasca: que incrível! Mas não tente resolver o outro e o culpar caso isso não funcione pra ele.
Não tenho dúvidas que as pessoas têm as melhores intenções, mas eu imploro por mais sensibilidade e menos julgamentos. Ninguém tem a fórmula perfeita para a felicidade, porque ela varia de pessoa para pessoa. O que eu posso oferecer com o meu trabalho são ferramentas para que você se sinta melhor, e não a cura. Eu quero te acolher, do jeitinho que você é, num espaço seguro e sem julgamentos.
E assim eu sigo: “Yogada”, meditada e medicada.
Caso você precise de ajuda ou conhece alguém que esteja com tendências suicidas, ligue 188.
A vida agradece <3
Notícias Aleatórias
Schitt’s Creek. Se você não assistiu essa série ainda, se joga. Para assistir no Brasil, você precisa usar a criatividade (leia-se VPN). A série Canadense está disponível em suas 6 temporadas no Netflix americano.
O que eu posso te dizer sobre Schitt’s Creek: é muito engraçado. É de um humor refinado, porém simples. A personagem de Catherine O’Hara (Esqueceram de Mim entre outros filmes), Moira, tem o MELHOR vocabulário da vida. Enfim, Schitt’s Creek ganhou 6 Emmys esse ano, e finalmente teve o reconhecimento que merece. Infelizmente, a série terminou esse ano no seu auge.Estou viciada na Kombucha da Feito Por Nós, Abbondanza. Quem está à frente desse projeto é a Mayra Abbondanza e ela vende uns kits de comida toda semana. O mais fofo: ela sempre envia dicas de como consumir e/ou incrementar as comidinhas do kit. Porém, se você é “kombucheiro” que nem eu, não deixe de provar o sabor novo de chá branco com abacaxi. YUM!
Bracelete e Anel
Tauanna Borazo
Sempre que eu posso, eu escolho apoiar o trabalho de mulheres empreendedoras, assim como eu. <3
E dessa vez, vou compartilhar algo de uma designer de jóias, a Tauanna Borazo, que além de ser ex aluna, é minha amiga pessoal e uma pessoa super talentosa. Estou simplesmente APAIXONADA por esse bracelete que pensamos juntas e ela desenhou e criou. Maravilhoso: sim ou com certeza?
Seguimos!
Com amor, sempre.
He =)