A reflexão da bissexualidade

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Há alguns dias atrás, numa conversa com uma amiga querida, ela me perguntou:

- Helô, como é esse lance de se relacionar com homens e com mulheres? Você gosta mais de um do que do outro?

 Para chegar na minha resposta, deixa eu fazer um parênteses aqui e explicar que, há dois anos atrás, fiquei com uma mulher e não fiz disso uma grande pauta. Desde então, me relaciono com pessoas de ambos os gêneros e me considero uma pessoa aberta às possibilidades e interesses. Bissexual, híbrida, interessada. Me sinto sortuda em ter uma fluidez sexual e habitá-la com sabedoria e sem preconceitos.

 Voltando então à conversa, eu respondi para a minha amiga:

 - Eu não gosto mais de um gênero do que do outro. Eu aprecio cada um pelo que é. A comparação não cabe pois são experiências e dinâmicas diferentes, e cada uma tem seu valor. Menos preferências e mais apreciação, sem tentar mudar um pelo outro.
 
 Como o Yoga é presente tanto dentro quanto fora do tapetinho, eu não poderia deixar de trazer essa reflexão para a minha prática também. Fiquei pensando como essa capacidade de gostar de dois gêneros me possibilita uma expansão no estar com o que se é, e não ficar presa no looping tóxico da comparação.

 Na prática do Yoga, nós almejamos cultivar uma consciência pura e plena. Uma relação presente, honesta e real com o que é. Sendo assim, a gente vê e percebe as coisas pelo o que elas são e não pelo o que gostaríamos que elas fossem. Existem dias nos quais meu corpo alcança certos asanas com mais facilidade, enquanto em outros dias o corpo simplesmente não entra na pose.
Existem também os dias que consigo fazer uma meditação mais longa, enquanto em outros não consigo me aquietar por um minuto que seja.

Em ambos os cenários eu trago a mesma reflexão que fiz com a minha amiga em relação à minha sexualidade: uma postura não é melhor que a outra. Uma meditação não é melhor que a outra. São experiências distintas, e eu posso apreciá-las da mesma maneira.
Nas aulas, eu sempre passo modificações possíveis dos asanas para meus alunos, para que em qualquer estágio na prática, eles se sintam confortáveis e consigam apreciar onde estão, como estão.

 Nosso sofrimento tem muita raiz no nosso querer em mudar coisas que não temos controle, e também em não estarmos presentes com a realidade que se presenteia perante a nós. Sofremos por querer comparar um sorvete de baunilha com o de chocolate. Sofremos porque já estamos pensando lá na frente ou pensando no passado. Um dos maiores desafios do ser humano é cultivar presença no presente.

 A meditação é a nossa maior ferramenta para cultivar esse estado de apreciação presente e consciente. Porém não se engane: você não precisa estar sentado em silêncio e de olhos fechados para meditar. A maior meditação ocorre de olhos abertos, em se observar e se deixar respirar no presente.

 Meu voto para esse final de ano é que você consiga apreciar o que se é: pessoas, sem tentar mudá-las; Asanas, sem forçar o seu corpo; Circunstâncias, que você não tem controle. Desejo que você esteja presente consigo mesmo, com seus desejos, seus sonhos e suas limitações. Traga 100% de você para a prática diária que é viver.


Notícias Aleatórias

  • Um dos meus rituais antes de dormir é ler a newsletter da Samantha Irbywho's on judge mathis today?” - Sabe aqueles programas de televisão que tem um juiz resolvendo problemas de pequenas causas? Essa newsletter é sobre isso, só que escrita com o humor fantástico da Sam Irby. As descrições dos participantes, o caso, as reflexões: é de rolar de rir. O conteúdo dela é em Inglês.

  • É seguro dizer que eu adoro tomate, e ele tem estado cada vez mais presente no meu café da manhā. Ovos mexidos com tomates temperados de acompanhamento? Sim, por favor! Tapioca com queijo derretido e tomates com um fio de azeite? Oh yeah, baby! Incorporem o tomate matutino na sua vida. De nada.

  • Toda noite antes de eu dormir, além de ler a newsletter da Sam, eu escolho a música para tocar como despertador. Nesses últimos dias, essa tem sido a campeã. Pra acordar daquele jeito <3

    Com afeto, sempre.
    He =)

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