Puta que Pariu que Raiva do Caralho

Em quase toda sessão de terapia, a minha terapeuta fala:
“Helô, pára de ser a Madre Teresa de Calcutá”.

Eu fico em conflito, pois eu acredito que temos que tentar construir um lugar de bondade extraordinário - então, quando eu me deparo com a raiva, eu empurro ela pra longe e não me permito sentir essa emoção.
Eu acho que em sentir raiva, vou anular a bondade dentro de mim, o que é uma grande mentira.

Vamos aos básicos: a raiva é uma das emoções mais potentes que existe no leque das emoções, e é completamente humano senti-la.
O que difere a raiva saudável da raiva baixo-astral, é o que a gente faz com ela. Qual é o contorno que damos pra esse sentimento no mundo, nas nossas ações. Sair no mundo na violência não é a solução, não é mesmo?

Quando eu sinto raiva, eu rapidamente tento transformá-la em compaixão, sem deixar a raiva me ensinar, me dar potência.
A raiva indica que algo muito importante foi infringido. Foi violentado.
E eu preciso olhar mais pra isso, pois é também uma maneira de eu me conhecer melhor.

Sinto raiva por ter cedido a um capricho alheio e ter sido descartada depois. Sem pedido de desculpas, sem consideração alguma pelo meu coração bom.

Sinto raiva pelo luto, que quando eu acho que terminou, vem e me afoga.
Sinto raiva por não ter superado ainda.

Sinto raiva pelo abandono.
Sinto raiva pela falta de responsabilidade afetiva dos outros.

Sinto raiva em ter que sair correndo de uma performance porque o pai da minha filha é incapaz de fazer um almoço pra ela, e ela me manda mensagens dizendo que está com fome.

PUTA QUE PARIU QUE RAIVA. 

No meu último episódio raivoso, eu desabafei com a minha amiga Marcela. Ela dá espaço pra minha raiva, e ainda diz que eu sou muito boazinha mesmo raivosa (eu amo como somos diferentes).


No entanto, a Marcela é, como outras amigas que tenho, alguém que não vai me julgar.
Ontem, ela deu espaço para eu chorar, gritar, extravasar e mandar todo mundo tomar no cú.
Ela me encoraja a botar pra fora de uma maneira segura, sabendo que eu não atuo com raiva no mundo.

A raiva que eu tenho sentido, me faz chorar profundamente, mas também tem me fortalecido.
Tem me ensinado que eu tenho que fazer escolhas melhores, e que eu tenho que ser sempre a guardiã do meu coração bom.


A raiva ascende o fogo da ação dentro de mim. A raiva fez eu escrever esse post (Tá vendo? Ela não é tão ruim). 

E eu sinto, genuinamente, que preciso aprender mais com ela.

This is fucking hard. But hey…
We can do hard things. 

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