Me resolve?
“Oi, a gente precisa conversar”
Quem nunca se afogou em ansiedade em escutar essa frase?
Há um pouco mais de uma semana atrás, eu escutei essa frase de uma amiga querida e percebi como a ansiedade começou a subir como uma maré. “Caraca, ela quer conversar. O que será que eu fiz? Vou perguntar se dá para falarmos hoje. Não, talvez seja melhor eu perguntar a pauta pra adiantar, assim eu posso me preparar…Ai!!!…Será que não dá pra falar agora?”
Antes de responder à mensagem e atenta ao espiral emocional que se apresentou, resolvi pausar.
Existe um artigo da revista Psychology Today que eu gosto de reler de tempos em tempos, entitulado Lessons You Won’t Learn In School (Lições Que Você Não Vai Aprender Na Escola).
Nesse artigo, Ethan Kross , diretor do Laboratório da Emoção & Auto-Controle da Universidade de Michigan, menciona a importância de mudarmos o diálogo interno para terceira pessoa. Em fazer isso, a gente consegue se distanciar um pouco da cena, dando menos margem pro ego (eu! eu! eu!).
Então reformulei o diálogo interno para: “O que será que você fez, Heloisa? Como você pode se preparar para essa conversa?”. Porém, enquanto estava deitada no chão (adoro pensar deitada no chão firme), comecei a notar que querer me preparar para uma conversa que eu nem sei do que se trata, seria inútil. Seria como preparar um exércíto para uma batalha que nem foi anunciada. E quem quer andar armado por aí, na defensiva? Espero que poucos de nós, afinal… armaduras são muito pesadas de se carregar.
Foi nesse momento que eu percebi que o que eu queria mesmo, era que a minha amiga me resolvesse.
Em ficar ansiosa e cobrar uma conversa logo, é como se eu estivesse dizendo: “Hey, eu me sinto muito ansiosa e não consigo lidar com esse sentimento. Eu preciso que você resolva essa emoção pra mim. Me fala sobre o que você quer conversar logo porque eu não consigo sentar com essa incerteza, com o não saber, com a ansiedade. Me resolve. Agora. Se não agora, que horas você pode me resolver?”
Escrevo isso numa linguagem simples, para ilustrar como a gente espera que o outro resolva as nossas emoções. Em notar o que eu estava fazendo, eu resolvi responder à mensagem da minha amiga de um lugar mais íntegro e responsável. Eu disse algo do tipo “Claro amiga, estou aqui quando você puder e quiser conversar. Tenho espaço para te escutar, quando você estiver pronta”.
Me senti aliviada. Foi como se eu tivesse visto a maré da ansiedade encher, vindo me afogar, e eu inflei uma bóia e consegui ver de cima, em segurança, o movimento das águas ansiosas embaixo de mim. É sentir e dar conta do sentir.
O diálogo interno em terceira pessoa me ajudou a criar espaço entre a cena e o ego. E, em não pedir para que o outro resolvesse uma emoção minha, eu me senti mais capaz de seguir meus dias sem isso virar uma pauta e me perder nos cenários fictícios que a mente cria.
Quantas vezes eu já esperei que o outro resolvesse sentimentos meus? Inúmeras. Quantas relações já não terminaram e eu ainda queria que o OUTRO me desse “closure” ? Várias.
É válido querermos entender certas coisas com o outro, no entanto é importante chegarmos nessas conversas com clareza do que é nosso e o que é do outro.
Dizem que o tempo nos traz sabedoria, mas o tempo pode passar o quanto quiser, pois a maior sabedoria está na nossa disposição em desaprender padrões internos, para criar espaço para novas experiências dentro do nosso existir.
Meu convite pra você é de que na próxima vez que você ver aquela onda de emoção subindo a maré, que você exercite o seu diálogo interno em terceira pessoa e consiga encher a sua própria bóia. Encher essa bóia com fôlego para conseguir, flutuando (e não afogando), ter mais clareza se você não está esperando alguém resolver a sua emoção por você.
Notícias Aleatórias
Banoffe
Com vocês, o melhor Banoffe do mundo
Semana passada marcou a semana que eu comi o melhor banoffe do mundo. Sério. Está no meu top 3 de sobremesas da vida. Esse campeão é feito pela Petite Fleur. Só come e depois me agradece. Obrigada, de nada.
Universo, eu te amo: Calma, não é papo gratiluz! Vocês sabem como eu sou fascinada pelo Universo. Falei um pouquinho sobre isso aqui. Então não te surpreenderá que o site da NASA vive nos meus favoritos <3. Explorem o site deles, é demais. Existe uma seção da foto do dia, que eu olho sempre.
Sinta como somos seremos pequenos perante os fascínios do Universo. E falando em espaço, você sabia que a Rússia e a China tem planos de construir uma estação lunar? Imagina que BABADO. Já quero.A música do mês na mood board é Wish You Were Gay, da Billie Eilish. Eu confesso que eu conhecia a Billie mas nunca tinha parado para escutar o trabalho dela. Resolvi então assistir o documentário sobre o último álbum dela na Apple TV+, chamado The World Is A Little Blurry e gostei bastante de conhecer essa menina sensível e de coração generoso. Ela é uma adolescente como nós fomos, e se diverte como tal, sofre de amores como tal. Ela segue morando na casa de infância, com os pais. Não usa drogas, não bebe. Conheçam Billie Eilish.
Com afeto sempre,
He=)