Férias
Cara, ser mãe eh uma função.
Não dá para explicar ou entender completamente caso você não teve essa experiência.
Cada fase tem o seu desafio, e parece um video game, sabe?
Você vai passando de fase depois de derrotar o chefão de cada ciclo.
O primeiro chefão?
Deprivação de sono.
Quantas vezes eu chorei nos primeiros meses, com a minha bebê no colo, exausta.
Imaginando se a minha vida seria aquilo, pra sempre.
Eu chorava de desespero e cansaço tanto fisico quanto mental.
Depois tem o chefão do desfralde, e logo depois já vem o chefão para tirar a chupeta.
Entre cada desafio, tem a informação encravada no seu cérebro que existe um ser humano que depende completamente de você.
Vem a responsabilidade de se perceber alguém literalmente vital para que aquela vida siga existindo.
It’s mind blowing.
A biologia da mulher é programada para esquecer os perrengues (para que continuemos a procriar), e é verdade: a gente vai esquecendo o sofrimento e lembrando com mais lucidez o quão fascinante e transformadora essa experiencia é.
Para mim, o momento diário que eu mais me sinto mãe é quando estou recolhendo a bagunça da Amelie pela casa e pelo quarto dela.
As vezes começo a fazer isso na força da raiva, mas sempre, s-e-m-p-r-e, eu acabo sorrindo e me sentindo mãe. O momento se transforma, como num passe de mágica, em uma caça aos rastros da minha filha. É passar por onde a imaginação dela passou.
Eu amo espiar o mundo dela de um jeito não óbvio.
Ser mãe é a função sem férias.
É conversar diariamente com o sentimento da culpa.
É saber que depois que as funções de demandas físicas passam, vem a maior responsabilidade que é educar um ser humano.
E essa é a minha chance de deixar rastros de mim pelo mundo através da Amelie.
Os rastros que julgo mais verdadeiros e bonitos.
Eu vejo uma vida feliz ao lado da minha filha.
Aqui, no Japão, no Alaska. Aonde for.
Coração de mãe não tira férias. <3
Lili, a mamãe te ama muito.