Não Está Tudo Bem
Não está tudo bem.
Enquanto lia as notícias sobre o veredito da Elizabeth Holmes hoje pela manhã, isso ficou claro.
Ainda deitada, eu senti raiva e frustração.
Caso você não seja familiarizade com o caso dessa mulher, aqui vai o resumão:
-> Ms Holmes era estudante da Stanford e saiu da faculdade, aos 19 anos, e fundou uma start-up;
-> Theranos, a start-up da bonita, prometia revolucionar testes sanguíneos;
-> Branca, loira, ex-estudante de universidade Yvy League, ela começou a vender o negócio dela, atraindo inúmeros investidores com números falsos (que ninguém em 2006 se preocupou em investigar, afinal: branca, loira… é de confiança, não é mesmo?)
-> Essa bonita privilegiada saiu na capa da Fortune e Forbes Magazines;
-> Ela deu palestras de como aos 30 anos ela era uma mulher super bem sucedida;
-> Ela fez inúmeras outras mulheres acreditarem que era possível, disseminando ainda mais o senso de que se você não fez o seu primeiro milhão aos 30, talvez o problema seja você (pqp millenniums - me included);
-> Em 2015, começaram a investigar esse rolê da Ms Holmes, e viram que ela tava enganando todo mundo. Na caruda. E não é que ela enganou um simples passante, sem estudos. A bonita enganou grandes corporações como Walgreens ;
-> A tecnologia que ela vendia não existia. Ela usava outros laboratórios para fazer o trabalho que a Theranos dizia fazer;
-> Isso mostra como é viável e executável fingir ser o que não se é; e faturar em cima disso ( e aqui reside a minha raiva e frustração).
-> Theranos foi fechada em 2018. Elizabeth Holmes foi condenada a 20 anos de prisão ontem.
Trazendo para a minha humilde vida bem aqui, na cidade de São Paulo por ora, longe do Vale do Silício, eu vivo tendo exemplos de pessoas que vendem algo, um serviço, uma atitude, um estilo de vida sem integridade. Sem coerência alguma.
O começo de todo ano me deixa pra baixo, e eu estou no meio de um episódio depressivo. Eu seria a isca perfeita (como já fui) para a avalanche de resoluções vendidas pelos coaches da vida.
Hoje, os números não me interessam. Me interessa saber como a pessoa que quer entrar na minha vida e me oferecer algo, caminha no mundo e o quão coerente ela é.
Ms Holmes vendia uma imagem de sucesso e que ia ajudar a baratear exames sanguíneos, mas a troco de enganar as pessoas - e francamente, a si mesma.
Um dos limbs do Yoga é o Samadhi, que é o momento do nosso caminho que nos tornamos um só. Não há separação entre corpo, mente, mundo. Samadhi não é um destino, mas é parte do processo no caminho da prática. Cada vez que fazemos a escolha de manter a nossa integridade e parar de segregar quem somos dependendo do ambiente no qual estamos, isso é praticar yoga fora do tapete.
Ser coerente com quem você apresenta pro mundo e quem você é, é o primeiro grande passo para nos libertarmos do sofrimento em ter que sustentar uma personagem - que um dia ou outro, dá ruim (ainda bem!).
Antes de fechar qualquer serviço com alguém, ou se comparar na internet (ou fora dela), procure saber como a pessoa caminha no mundo.
Como Gustavo Gitti disse aqui, precisamos treinar parar de segregar as relações. Assim, estaremos um pouco mais próximes de uma vida menos sofrida e mais honesta, colocando pavimento para o Samadhi.
Que sejamos realistas e coerentes pois não está tudo bem não ser.
Que tenhamos lucidez para trilhar nosso caminho ao lado de pessoas coerentes, que não querem números ou boost de ego, mas estão investidas em serem boas pessoas no mundo, na vizinhança, na familia e em todas as relações.
Notícias aleatórias
Oh, hello depression: pois é. A danadinha está aqui. Ontem, depois de desabafar a minha tristeza para uma amiga, eu disse: “amanhã vai ser melhor”.
Minha amiga respondeu: “que tal dizer: amanhã vai ser diferente”?.
(I am so fucking grateful for you)Dar um tempo de mídias sociais no começo do ano não é novidade pra mim. São muitos gatilhos e eu faço a escolha lúcida de me poupar. O que me sobra tempo para outras coisas, tipo estar presente aqui no meu pedaço de terra comprada na internet, que é o meu site.
Tudo que eu produzo e posto no Instagram pertence a eles - eu passo tempo me dedicando num lugar que nem meu é ( tem seu valor, sem dúvidas! Eu adoro quando me serve) e esqueço de cuidar do que é meu.
Eu pago por esse cantinho na internet. O que produzo aqui me pertence e eu mesma escrevi os Termos e Condições de uso desse espaço.
Então fica a dica: cuide da sua terrinha também e não fique plantando as árvores mais bonitas no terreno alheio.Drew Magary: humor é uma ferramenta útil nos dias escuros e nos dias claros também. Eu gosto muito do humor da Samantha Irby, como já compartilhei por aqui, e foi graças a ela que eu conheci o Drew. Se você é proficiente em inglês, não espere mais um minuto para desfrutar da escrita dele e, principalmente, do Hater’s Guide que ele anualmente nos presenteia. De nada.
Self-care: esquece esse lance de fazer máscara no rosto e comer saudável. Isso é auto cuidado mirim. Eu comecei a desbravar o próximo nível de auto cuidado que é me dar tempo para responder e-mails e mensagens. Depression sucks e a tristeza gasta muita energia mental (que eu tento racionar de maneira esperta). Tenho me cuidado, colocando limites no imediatismo e parando de dar para o outro quando o meu copo nem cheio está.
That’s the care of champions.
Try it out.
Seguimos.