E não é que piora pra depois melhorar?
Desde que eu era criança, eu sentia muito. Eu era a filha que chorava muito quando a mãe ia embora. Morria de ciúmes, e não entendia por que os meus irmãos não tinham as mesmas reações e indignações que eu tinha e sentia. Eu era diferente.
Eu tinha 10 anos quando fui para a terapia pela primeira vez, e por mais que eu não tivesse um completo entendimento do que eu estava tentando resolver ali, eu sei que foi uma maneira dos meus pais me ajudarem a navegar a vida de uma maneira menos sofrida pra mim. Meus pais são especiais.
Porém, eu também sei que foi nessa época que eu internalizei que talvez eu era muito pro mundo e precisava abaixar o volume.
O trabalho e refinamento emocional continuam até os tempos presentes, e entendi que o que eu considerava um problema, era somente o reflexo de experiências que foram somente minhas, e que não que tinha algo fundamentalmente errado comigo. Que bom que eu sinto tanto! Hoje em dia eu ainda trabalho, em outras capacidades, com a noção de que não tem nada de errado em ocupar espaço no mundo.
Há quase 2 anos atrás eu entrei numa parceria de negócios, com outra mulher, para crescer as lojas que ela idealizou - e de antemão quero dizer que nada do que eu estou escrevendo é um ataque a ela.
Bom, eu entrei de cabeça nessa empreitada, e depois de 4 meses estava começando a colher os frutos do meu trabalho: criei eventos para a comunidade que eram um sucesso. Eu andava nas ruas de Beacon sendo reconhecida e abraçada por pessoas que adoravam me ver. As vendas aumentaram, os pais e crianças da cidade se sentiam acolhidos por mim na nossa loja infantil. Até que um dia a minha sócia me chamou para conversar.
A conversa, que foi muito honesta, era sobre eu estar crescendo a minha presença na comunidade - e no negócio - muito rápido. “Vocês está fazendo tudo muito bem, mas eu preciso que você pare. Você é a lebre e eu a tartaruga, e preciso que você me espere. Eu sinto ciúmes que as pessoas somente associam você ao business, mas estou trabalhando isso em terapia. Mas até eu conseguir superar isso, preciso que você abaixe o volume”.
Na prática, isso significava que eu tinha que parar os eventos pra comunidade. Significava eu tomar conta de outras partes do negócio que não mostravam mais a minha cara. Em choque, eu simplesmente acatei. Coloquei o rabo entre as pernas e mesmo que confusa, fiz o que foi me dito.
Mas eu não sou sócia também? Claramente, não estávamos na mesma página.
Então para acomodar o desconforto dela, eu me tornei menos. Eu apaguei.
Eu dizia pra mim mesma que “pelo menos ela está sendo honesta sobre o ciúmes que sente e que está trabalhando nisso”.
Eu nunca tinha sido penalizada por estar fazendo um bom trabalho. A verdade é que isso me desestabilizou emocionalmente, e em algum lugar no meu subconsciente eu voltei a acessar a idéia de que eu tenho que ser menos. Que sou muito. Que tenho que abaixar o volume. Que eu não posso causar desconforto em ninguém.
Mas a terapia estava em dia, e a cada dia que passava e eu emudecia mais, eu percebi que ali não era mais o meu lugar. Não fazia sentido algum eu ser penalizada por estar sendo bem sucedida.
A parceria então, acabou.
Por mais que eu amava o que eu estava fazendo, me espremer para deixar o outro confortável, não era mais uma solução.
“Lições para 2025: não aceitar o comportamento problemático de uma pessoa só porque você entende os motivos pelos quais ela age daquela maneira”
Eu passei o ano de 2024 me reestruturando emocionalmente. Sem saber o que fazer. Procurando posições de trabalho que eu seria somente uma agulha num milharal. Algo que eu não chamasse atenção. Somente bater o cartão, fazer meu trabalho, ser invisível e recolher meu pagamento de 15 em 15 dias e pronto.
Mas não adiantava: eu entrevistava, mandava currículo, e nenhuma porta se abria. Eu passei 10 longos meses dando murro em ponta de faca. Essa é a verdade. Inconscientemente, eu ainda estava acreditando que eu não tinha que ocupar espaço, porque se eu ocupasse eu seria punida.
Em dezembro, algumas chaves começaram a virar dentro de mim. Algo tinha que mudar. Eu não suportava mais sentir que eu não estava progredindo. A sensação de estar patinando me sufocou e a minha saúde mental começou a deteriorar.
Eu vejo tanta gente fazendo o mínimo e ocupando espaço sem pensar duas vezes.
Vejo pessoas de índole duvidosa enchendo a conta bancária.
Pessoas sem qualificação ou lugar de fala, FALANDO.
E por que eu vou continuar acreditando que tenho que ser pequena?
Que não posso causar desconforto em ninguém com medo de julgamentos ou inseguranças?
Tudo que você me vê fazer, escrever, falar, eu faço de coração mas tremendo na base com insegurança. Com medo de julgamento. Com medo de me falarem, de novo, para eu ser menos.
Mas qual é a alternativa?
O que eu vou fazer com a minha alegria? Com o que tenho a dizer?
O que vou fazer com o meu desejo de viver uma vida que toca o outro e ser tocada pelo outro?
O que eu vou fazer com a vontade que eu tenho de abraçar e acolher através das ferramentas e qualificações que eu tenho? Eu preciso colocar isso de maneira prática no mundo de novo se eu quero viver uma vida mais feliz. Mais abundante. Mais corajosa. Mais honesta comigo mesma.
O conforto do outro não pode mais vir as custas do meu desconforto.
Então reativei meu site.
Aceitei propostas de trabalho mais alinhadas com o meu propósito no mundo.
Grudei nas pessoas ao meu redor que sempre me motivam a ser a melhor versão que eu posso ser. Que acreditam muito em mim mesmo quando eu não acredito.
Tantas portas tiveram que fechar na minha cara para eu entender que eu estava batendo nas portas erradas.
Seguir caminhos que me levam não a portas mas a castelos não convencionais. Castelos em um reinado de propósito. De alegria. Aonde há sempre a possibilidade de adicionar uma nova ala para receber mais gente.
Eu precisei jogar pela janela a ideia de que eu preciso ser convencional para caber no mundo.
Então esse ano você vai ver, escutar e ler mais de mim.
Sem vergonha.
Mas com muita coragem e determinação de viver uma vida mais satisfatória e com mais sentido nesse mundo, porque o meu tempo aqui é breve.
Assim como o seu.
Se você chegou até o final desse post, obrigada por usar o seu tempo e estar aqui comigo. Por me escutar. Caso você precise de um lembrete que é vital você ocupar espaço também, eu estou aqui pra te lembrar. Eu te ofereço o meu tempo, minha atenção e a minha escuta.
Desejo que não somente eu, mas que você também, expanda.
E quem sabe a gente não faz isso juntos, sem medo de que pode dar tudo….certo.
WE CAN DO HARD THINGS.
In togetherness,
Helô